
Aposta Alta: A Influência de Virgínia Fonseca, a Regulação do Governo e o Jogo de Responsabilidades
Por Themis Briand
Influência que custa caro
Virgínia tem mais de 90 milhões de seguidores nas redes sociais. O alcance de seus stories, vídeos e publicações ultrapassa o de muitos veículos de imprensa. Quando ela promove uma marca, está, na prática, chancelando seu uso e influenciando diretamente o comportamento de milhões de pessoas — inclusive jovens e economicamente vulneráveis.
No contexto das casas de apostas, essa influência ganha contornos ainda mais perigosos. A CPI das Bets apura não apenas o papel dos influenciadores, mas supostos esquemas de remuneração por perdas dos apostadores, como no caso do ex-BBB Felipe Prior, que teria recebido percentuais sobre o prejuízo de seus indicados. O lucro, nesse caso, nasce diretamente do infortúnio do seguidor.
O poder público também tem culpa, mas não se pode apontar o dedo apenas para os influenciadores. O próprio Estado brasileiro pavimentou o caminho para a proliferação desse mercado.
Em 2018, o então presidente Michel Temer sancionou a Lei nº 13.756, que autorizou as apostas de quota fixa. Já em 2023, a regulamentação foi consolidada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da Lei nº 14.790, detalhando as condições legais para o funcionamento das bets — inclusive online.
Ou seja: houve autorização legal e estratégica para abrir esse mercado, antes mesmo de haver preparo institucional para regular propaganda, fiscalizar abusos ou proteger consumidores do risco de dependência.
A pressa para arrecadar parece ter falado mais alto que a prudência para educar e proteger.
Corresponsabilidade: quem ganha e quem perde
Esse cenário revela uma teia de corresponsabilidades: influenciadores que divulgam sem critério, empresas que exploram emoções humanas como moeda e um Estado que libera sem blindar.
Enquanto isso, quem perde é o cidadão comum — que muitas vezes entra no jogo seduzido por promessas de lucro rápido, mas termina preso em ciclos de endividamento, frustração e, em casos graves, dependência psicológica.
Precisamos falar sério sobre isso
Casos como o de Virgínia Fonseca precisam servir de alerta: influência digital é poder — e, como todo poder, exige responsabilidade.
É hora de discutir regras mais claras para a publicidade de jogos e apostas, de exigir formação ética para influenciadores e de cobrar do poder público uma atuação mais firme, não só na arrecadação, mas na prevenção e no cuidado com a população.
Afinal, o que está em jogo aqui não é só dinheiro — é a integridade de uma geração exposta diariamente à roleta russa das redes!
E você, o que pensa sobre isso? Influenciadores como a Virgínia devem ser responsabilizados? E o governo… legalizou por estratégia ou por ganância?
Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este artigo se acredita que esse debate precisa sair do digital e ir para o centro das políticas públicas!



