Assis Cavalcante fala sobre a febre das apostas online e os impactos no poder de compra dos consumidores

 

 

 

Regulamentado no fim de dezembro de 2023, o mercado de apostas esportivas online no Brasil – conhecidas como bets – marcou um passo significativo na modernização das leis relacionadas ao jogo no país. Este tipo de aposta é mais popular entre os jovens, onde quase um terço dos brasileiros de 16 a 24 anos admite já ter apostado, o dobro da média nacional. A modalidade, contudo, preocupa autoridades e especialistas.

 

Isso porque um levantamento divulgado pelo Instituto Datafolha revela que as apostas esportivas online têm atraído a atenção de 15% da população brasileira, com um gasto médio mensal de R$ 263 por pessoa. Para se ter uma ideia, o valor é 14% maior que o gasto médio do brasileiro nas compras de Natal em dezembro de 2023, que foi de R$ 230 por pessoa.

 

Diante dos números, o presidente da CDL de Fortaleza, Assis Cavalcante, alerta para que a prática não incorra em prejuízos para o comércio diante da perda do poder de compra do consumidor.

 

“O poder de compra do consumidor que eleva os gastos em apostas desse tipo pode ficar reduzido e prejudicar as vendas do comércio. Quando essa capacidade de obter bens, mercadorias e serviços fica comprometida pelo direcionamento dos recursos para as apostas, quem acaba perdendo é o comércio e, consequentemente, a economia. Daí a importância do investimento em campanhas de conscientização da população para que isso não vire um problema ainda maior”, afirma.

 

Em poucos anos, a indústria de apostas esportivas se tornou um negócio aquecido no Brasil. Outra pesquisa realizada pela Datahub mostra que o segmento cresceu 360% no Brasil entre 2020 e 2022. O país, portanto, lidera esse ranking de acesso, nos últimos anos foram registrados mais de 14 bilhões de registros.

 

Junto com esse crescimento, há inúmeros relatos de perdas e pessoas que precisaram buscar ajuda para deixar a prática, que se realizada de forma compulsiva pode se tornar um problema de saúde.  A relação de vício em jogos de azar é mediada pelo sistema de recompensa cerebral, de maneira muito semelhante ao observado em dependências químicas. Um estudo publicado na revista Nature demonstrou que a atividade cerebral de uma pessoa dependente desses jogos se assemelha à de um usuário que abusa de anfetaminas.

 

Assis Cavalcante, da CDL de Fortaleza, reforça a urgência para que o governo realize campanhas de conscientização para proteger os consumidores e a economia do comércio varejista brasieliro. “Juntamente com a regulamentação, é importante o desenvolvimento de campanhas para orientar o consumidor e alertar para os perigos de mergulhar nessa prática que pode se tornar um caminho sem volta para ele”, alerta.

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