Com 50 mil pessoas, segundo dia da Bienal Internacional do Ceará quebra recorde de público

 

Foto TxaiCMendes

Debate sobre o novo PNLL, maratona de lançamentos e programação cultural intensa movimentam evento no Centro de Eventos do Ceará

 

O segundo dia da XV Bienal Internacional do Livro do Ceará, realizado neste sábado (5), foi marcado por um recorde histórico de público. Mais de 50 mil pessoas passaram pelo Centro de Eventos do Ceará, superando a marca registrada na edição de 2022 e consolidando o evento como um dos maiores encontros literários do país.

Abrindo o ciclo de debates desta edição, o evento promoveu uma mesa redonda sobre o Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) 2025–2035, com a presença de representantes do Ministério da Cultura (MinC), da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE) e de diversos segmentos do setor de livro e leitura. Realizado na Sala Beatriz Nascimento, o encontro contou com Fabiano dos Santos, secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC; Jéferson Assumção, diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas; e Luisa Cela, secretária da Cultura do Ceará. A mediação ficou a cargo da jornalista Ivna Girão, coordenadora de Comunicação e Cultura do MinC.

O debate integra a Programação MinC e marca uma das primeiras ações do novo ciclo de escutas do PNLL, que já percorreu São Paulo, Porto Alegre e Recife. A programação continua neste domingo (6), das 9h às 12h, no mesmo espaço.

A cena literária cearense também ganhou destaque com uma maratona de lançamentos que reuniu 12 escritores locais, além de autoras convidadas de Pernambuco e da Paraíba. Os lançamentos aconteceram em diversos pontos da feira e contaram com sessões de autógrafos e a presença dos autores.

Outro momento importante do dia foi a inauguração do Espaço Cultura Alimentar, que retorna à Bienal pela terceira vez. O eixo temático destaca a relação entre o ser humano e a alimentação, valorizando as culturas tradicionais e os pequenos produtores. Segundo a moderadora Vanessa Moreira, a iniciativa reforça o pioneirismo do Ceará na promoção da cultura alimentar e na implementação de políticas públicas voltadas ao setor.

Já a Mesa da Curadoria, dedicada a debates com escritores ao longo de toda a programação, estreou com dois encontros de peso. Às 16h, a mesa “O que podem as palavras? Narrativas na contemporaneidade” reuniu os autores Afonso Cruz, Socorro Acioli e Andrea del Fuego, sob mediação de Sávio Alencar. Mais tarde, às 20h, a mesa “O fogo e a água: palavras em travessia” promoveu um potente diálogo entre a cordelista indígena Auritha Tabajara e a escritora Luiza Romão, com mediação da professora Suene Honorato, abordando oralidade, identidade e resistência através da literatura.

A Praça do Cordel também registrou grande movimentação e se destacou por uma das programações mais ricas da Bienal. Com atividades diárias das 10h30 às 20h, o espaço receberá nomes como o cordelista Bráulio Tavares, que ministra a palestra “Fantasia na Literatura de Cordel” no dia 10 (quinta-feira), às 15h, e o mestre Chico Pedrosa, referência da poesia popular, que se apresenta nos dois fins de semana do evento (5, 6, 12 e 13).

A estudante de Psicologia Clarissa Silva foi uma das milhares de visitantes do sábado e ressaltou a diversidade da programação. “Tem muita oportunidade de encontrar livros que a gente nem imaginava mais conseguir”, afirmou, após participar do lançamento do livro Mulher das Cavernas, de Lia Lira Oliver.

Com 188 estandes e expectativa de atrair mais de 400 mil visitantes ao longo de seus dez dias, a Bienal segue até 13 de abril, celebrando a literatura, a cultura e o encontro entre leitores, autores e editores.