Pesquisa desenvolvida no Ceará mostra como transformar desafios de empresas em soluções inovadoras

 

Estudo do Instituto Atlântico, aprovado em congresso científico da USP, apresenta modelo que integra inovação à rotina de projetos e já resultou em 17 experimentos práticos.

 

Uma metodologia própria para transformar experimentos de pesquisa e desenvolvimento em soluções aplicadas pode reduzir incertezas em projetos tecnológicos, melhorar processos internos e criar oportunidades de negócio. É o que indica um estudo do Instituto Atlântico aprovado no 29º SemeAd – Seminários em Administração, um dos principais eventos científicos da área no país, que ocorre de 9 a 13 de novembro na FEA/USP, em São Paulo.

O artigo “Inovação Intencional em Institutos de Ciência e Tecnologia: da prova de conceito à estruturação de um laboratório orientado a problemas reais”, escrito por Francisco Apoliano de Morais Junior, Jose Samuel Montenegro Santiago, João Vianey Batista Moreira Filho, Maria Silvanira Souza Ferreira de Oliveira e Webster Rulian Lima Jorge, apresenta os resultados de um ciclo piloto de inovação realizado no segundo semestre de 2025. Na ocasião, o Atlântico aplicou um framework autoral de inovação intencional em projetos da HP, cliente da organização há mais de 20 anos. A iniciativa reuniu 19 colaboradores, entre eles três lideranças, e resultou na execução de 17 experimentos.

Com esta aprovação, o Atlântico chega a cinco trabalhos aceitos por meio da iniciativa. Para a organização, o resultado mostra que experiências vividas em projetos de pesquisa e desenvolvimento e laboratórios internos podem ser organizadas, validadas academicamente e convertidas em contribuições para a ciência e para o mercado.

 

Inovação dentro do projeto
A proposta central do estudo é inserir a inovação no próprio fluxo de execução dos projetos, em vez de tratá-la como uma atividade separada. O framework conecta descoberta, experimentação e aprendizagem à rotina das equipes, permitindo testar hipóteses, diminuir incertezas técnicas e gerar aprendizados ligados às demandas reais do cliente.

Segundo o artigo, a abordagem segue princípios de inovação intencional, com experimentação contínua e participação da liderança na condução estratégica do processo. No piloto, o laboratório interno de inovação registrou ganhos em aprendizagem organizacional, qualidade de software e automação de rotinas técnicas.

Nem todos os experimentos resultaram em soluções prontas para adoção. Os classificados como “lições aprendidas” também tiveram função relevante: ajudaram a aprimorar práticas internas e a amadurecer o próprio processo de experimentação. Para o instituto, isso indica que o valor da inovação não está apenas no produto final, mas também na redução de riscos, no desenvolvimento de competências e na criação de uma base mais sólida para projetos futuros.

 

Potencial de negócio
“Do ponto de vista estratégico, o modelo tem potencial para consolidar uma cultura permanente de experimentação no Atlântico”, avalia Webster Rullian Lima Jorge, Gerente de Programa do Instituto Atlântico. Para ele, ao orientar a inovação por problemas reais, o framework pode ampliar a identificação de oportunidades de negócio, apoiar o desenvolvimento de soluções mais aderentes às necessidades dos clientes e viabilizar a criação de ativos transferíveis.

Entre as possibilidades apontadas está o licenciamento de soluções desenvolvidas a partir das experimentações. Segundo Webster Jorge, isso poderia abrir novas fontes de receita e fortalecer a posição do instituto como agente de inovação aplicada.

O SemeAd reúne pesquisadores, estudantes e profissionais para discutir a produção científica em Administração no Brasil e no exterior; a edição de 2026 terá atividades online e presenciais na FEA-USP.

 

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