
Iniciativa piloto em municípios cearenses fortalece a Atenção Primária com tecnologia, capacitação de equipes de saúde e mobilização comunitária, tornando-se modelo na prevenção do câncer do colo do útero
O movimento Juntos Contra o HPV, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, alcançou resultados históricos na prevenção do câncer do colo do útero na 2ª Região de Saúde do Ceará. Dados consolidados até setembro de 2026 revelam que a média do conjunto de nove municípios da região ultrapassou a meta de 90% de cobertura vacinal contra o HPV entre jovens de 9 a 14 anos, registrando 90,5% de adesão. O número coloca a região acima das médias nacional (76,79%), estadual (79,79%) e da capital Fortaleza (76,25%).
Atualmente, o câncer do colo do útero é o segundo mais frequente entre as mulheres brasileiras (excluindo os de pele não melanoma), sendo mais letal nas regiões Norte e Nordeste, segundo o Ministério da Saúde. No Brasil, a doença registra cerca de 17 mil novos casos e 7 mil mortes por ano — uma média de uma vítima fatal a cada 75 minutos.
Iniciado no final de 2024, o projeto piloto abrange 10 municípios: Caucaia, Itapajé, Tejuçuoca, Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba e São Luís do Curu. A estratégia fundamenta-se em três pilares principais: conectar os setores público e privado, transformar dados de saúde em ações estratégicas locais e mobilizar a comunidade.
Avanço histórico na vacinação e no rastreamento
Entre os municípios atendidos, cinco já atingiram ou ultrapassaram individualmente a meta de 90% de vacinação combinada: São Gonçalo do Amarante (109%), São Luís do Curu (99%), General Sampaio (92%), Tejuçuoca (90,4%) e Paraipaba (90,2%). No público feminino de 9 a 14 anos, sete das dez cidades atingiram a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), somando uma média de 93,3% nos nove municípios do bloco.
Além da imunização, o programa apresentou avanços no rastreamento preventivo (exame citopatológico) em mulheres de 25 a 64 anos. Até julho de 2026, oito dos dez municípios superaram a meta de 40% de cobertura estipulada pelo Ministério da Saúde. Tejuçuoca e Pentecoste lideram o indicador, com 68,9% e 64,5% de cobertura, respectivamente.
Tecnologia, capacitação e impacto comunitário
Para sustentar a busca ativa e a gestão de dados na ponta, a iniciativa realizou visitas técnicas a 130 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e capacitou mais de 900 profissionais da saúde e 240 gestores municipais. Em 100% dos municípios, foram implantados painéis tecnológicos de gestão para acompanhamento nominal das pendências vacinais.
No âmbito da conscientização, o projeto formou mais de 800 multiplicadores comunitários no Ceará, realizou aproximadamente 3.500 rodas de conversa e impactou presencialmente mais de 21 mil pessoas. Para expandir o acesso à informação, foi criada a assistente virtual Juh, que esclarece dúvidas sobre o HPV, além do Observatório Mulheres do Brasil, plataforma aberta para o monitoramento contínuo dos indicadores de saúde pública. Nas redes digitais, as campanhas lideradas pelo movimento já ultrapassaram 1 milhão de pessoas alcançadas.
“O sucesso alcançado no Ceará valida a eficácia de um modelo baseado na união da sociedade civil com o poder público. Demonstramos que, ao equipar a Atenção Primária com dados inteligentes e engajar a comunidade local, é possível cumprir as metas globais da OMS e salvar vidas contra um câncer 100% prevenível”, destaca Annette de Castro, presidente do Grupo Mulheres do Brasil – Fortaleza.
O projeto segue até novembro de 2026, com foco na intensificação da busca ativa nos municípios de maior escala territorial, como Caucaia, e na ampliação da vacinação contra o HPV. Até o fim de 2026, jovens de até 19 anos também poderão se vacinar, conforme as orientações vigentes do Ministério da Saúde.
Sobre o Grupo Mulheres do Brasil
O Grupo Mulheres do Brasil é um núcleo político-não-partidário que reúne milhares de mulheres no Brasil e no exterior engajadas em construir uma sociedade mais justa e igualitária. Por meio do movimento Juntos Contra o HPV, a instituição atua em parceria com o setor público, o meio acadêmico e organizações parceiras para contribuir para a erradicação da mortalidade pelo câncer do colo do útero no país.



