Exportações em alta no Ceará ampliam debate sobre custos e incentivos fiscais diante da Reforma Tributária

Com avanço do Estado no comércio exterior e movimentação recorde no Pecém, empresas enfrentam novas decisões sobre competitividade e planejamento financeiro

 

 

O crescimento das exportações cearenses e a expansão da atividade logística trazem novas oportunidades para as empresas do Estado, mas também ampliam a necessidade de planejamento financeiro e tributário. Em um ambiente de mudanças nos incentivos fiscais e nas regras de tributação sobre o consumo, a competitividade de indústrias, importadoras, exportadoras e empresas integrantes dessas cadeias dependerá cada vez mais da capacidade de avaliar custos, contratos e estruturas operacionais.

Segundo levantamento Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a corrente de comércio estadual alcançou US$ 3,47 bilhões de janeiro a agosto de 2026, crescimento de 4,3% em relação a igual período de 2025. As exportações avançaram 8,2%, somando US$ 1,63 bilhão.

O desempenho acompanha o fortalecimento da infraestrutura logística regional. Em 2025, o Porto do Pecém movimentou aproximadamente 20,96 milhões de toneladas, avanço de 7% em relação ao ano anterior, enquanto a movimentação de contêineres cresceu 27%, alcançando novo recorde.

Apesar dos avanços, o aumento das operações não garante, isoladamente, maior rentabilidade. Para empresas que atuam no comércio exterior, variações cambiais, despesas logísticas, prazos de recebimento e custos financeiros podem alterar significativamente o resultado de uma operação.

Para Fernando Cavalcanti, fundador da Valestrá, a realidade exige uma visão empresarial que ultrapasse os indicadores de crescimento. “Como empresário, sei que aumentar as vendas ou conquistar novos mercados não significa, necessariamente, aumentar os resultados. Uma operação pode crescer e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades de caixa, custos elevados ou estruturas tributárias que comprometem sua competitividade. É preciso entender o negócio por inteiro, e essa realidade muda de uma região para outra”, avalia.

 

Novo sistema tributário

A transição para o novo sistema tributário brasileiro acrescenta uma nova dimensão às decisões de investimento e organização das empresas cearenses. O Estado possui uma trajetória de incentivos fiscais voltados ao desenvolvimento industrial e à atração de investimentos. Com a substituição gradual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a partir de 2029, empresas beneficiárias de regimes específicos precisarão avaliar as regras de transição e seus possíveis efeitos sobre a competitividade de suas operações.

Para indústrias e companhias envolvidas no comércio exterior, também ganham relevância as mudanças no aproveitamento de créditos tributários, os tratamentos aplicáveis às exportações e a revisão das relações comerciais com fornecedores. A combinação dessas variáveis exige que decisões tributárias sejam analisadas em conjunto com seus reflexos financeiros e operacionais.

Para Ricardo Meneses, diretor da unidade Valestrá em Fortaleza, o contexto econômico regional demonstra a importância de compreender as particularidades das cadeias produtivas. “O Ceará reúne atividades industriais, logísticas e comerciais com características muito diferentes. Empresas que dependem de importações, exportações ou de cadeias de fornecimento mais complexas precisam considerar todos esses fatores em suas decisões. O desafio é conciliar crescimento, eficiência operacional e segurança no planejamento”, destaca.

 

Realidade regional

O crescimento do comércio exterior cearense acompanha a diversificação da economia do Estado e o fortalecimento de diferentes atividades produtivas, incluindo indústria, comércio, serviços especializados e logística. Nesse ambiente, a capacidade de compreender as particularidades locais e conectá-las a uma visão mais ampla dos negócios ganha relevância para empresas que atuam em diferentes mercados.

Com unidade em Fortaleza, a Valestrá acompanha as transformações regionais por meio de uma estrutura nacional que reúne especialidades tributárias, regulatórias, financeiras e patrimoniais.

Para André Menezes, líder executivo da operação cearense, a proximidade com o mercado contribui para compreender como mudanças econômicas e tributárias impactam negócios com diferentes estruturas.

“Cada atividade possui uma realidade própria. As decisões de uma indústria exportadora, por exemplo, envolvem fatores diferentes daqueles enfrentados por uma empresa voltada exclusivamente ao mercado interno. Entender essas particularidades é fundamental para avaliar riscos e construir estratégias consistentes”.a